Volume 1

Como Pensar a
Audiência

Um roteiro para compreender o papel do assistente e a audiência como um fluxo integrado.

Apresentação

Este caderno acompanha o primeiro volume do Curso de Assistente de Audiência.

Mais do que reunir informações ou procedimentos, seu objetivo é consolidar as principais ideias discutidas em sala e servir como material de consulta e revisão.

Ao longo deste primeiro volume, procuramos compreender a audiência em uma perspectiva mais ampla, enxergando-a não como um conjunto de tarefas isoladas, mas como um fluxo composto por diferentes etapas interligadas.

Mais do que ensinar ferramentas, buscamos compreender o papel do assistente de audiência e sua importância para a segurança e a fluidez do ato processual.

Ao longo da carreira, muitos servidores são chamados, em algum momento, a substituir um assistente de audiência.

Não raro, essa possibilidade é acompanhada de insegurança e da sensação de que a atividade se resume a dominar sistemas ou aprender a digitar atas em tempo real.

Entretanto, antes de qualquer aspecto técnico, é importante compreender que a audiência constitui um ambiente próprio, dotado de uma lógica e de um fluxo que lhe são característicos.

Por essa razão, o primeiro encontro foi dedicado a responder uma pergunta fundamental:

Como pensar a audiência?

O objetivo deste primeiro encontro é enxergar a audiência como um fluxo e compreender o papel desempenhado pelo assistente de audiência.

Esperamos que este material contribua para que você se sinta mais seguro para atuar em uma eventual substituição e, sobretudo, para que possa enxergar a atividade de assistência em audiência de maneira integrada e consciente.

As ideias desenvolvidas ao longo deste curso não decorrem apenas da experiência prática acumulada pelas unidades judiciárias. Elas também encontram respaldo nas diretrizes institucionais do Tribunal e nas normas que disciplinam a realização das audiências, especialmente no Capítulo V do Provimento Geral da Corregedoria Regional.

Seja bem-vindo.

Capítulo 1

O verdadeiro papel do assistente de audiência

Quando pensamos na atividade do assistente de audiência, é comum associá-la à digitação da ata ou à operação dos sistemas.

Mas será que essa é realmente a essência da função?

Sem dúvida, a elaboração da ata e a utilização das ferramentas tecnológicas constituem aspectos importantes da atividade. Entretanto, essas tarefas, por si sós, não são capazes de definir o papel desempenhado pelo assistente.

Mais do que um digitador ou operador de sistemas, o assistente de audiência é responsável por criar as condições necessárias para que a audiência transcorra de maneira segura e fluida.

Sua atuação permite que as diversas etapas da audiência ocorram de forma organizada, segura e eficiente.

Por essa razão, compreender a atividade do assistente exige enxergar a audiência como um todo e não apenas como um conjunto de tarefas isoladas.

Essa compreensão do papel do assistente de audiência não decorre apenas da experiência prática das unidades judiciárias. As normas que disciplinam a realização das audiências também reconhecem a importância da atuação do assistente para a regularidade, a segurança e a fluidez do ato processual.

Capítulo 2

O diretor de palco

Quando assistimos a uma peça teatral, nossa atenção naturalmente se volta para os atores e para a história que se desenvolve diante dos nossos olhos.

Entretanto, nos bastidores, existe alguém coordenando entradas, saídas, iluminação e todos os elementos necessários para que o espetáculo aconteça.

Na audiência ocorre algo semelhante.

O magistrado conduz o ato.

Os advogados sustentam suas teses.

As partes prestam esclarecimentos.

As testemunhas são ouvidas.

Mas existe alguém garantindo que tudo aconteça no momento certo e da forma adequada.

Esse alguém é o assistente de audiência.

Assim como o diretor de palco, o assistente trabalha nos bastidores.

Seu protagonismo é discreto.

Mas sua atuação é fundamental para que tudo funcione adequadamente.

Quando tudo funciona bem, quase ninguém percebe sua atuação. E isso é um bom sinal.

Capítulo 3

A audiência é um fluxo

Uma das ideias mais importantes deste primeiro volume é compreender que a audiência não se resume ao momento dos depoimentos.

Na realidade, ela pode ser compreendida em três grandes momentos.

Antes da audiência

É o período de preparação.

Aqui são organizados os sistemas, o ambiente virtual, os participantes e todos os elementos necessários para o desenvolvimento do ato.

Durante a audiência

É o momento em que se desenvolve efetivamente o ato processual.

O assistente acompanha o fluxo da audiência, presta apoio ao magistrado e registra os atos praticados.

Só para guiar o assistente novato: lembrando que, durante a instrução, por regra, primeiro ouve-se a parte reclamante, depois a parte reclamada, depois as testemunhas da reclamante e, por fim, as testemunhas da reclamada.

Depois da audiência

Mesmo após o encerramento da sessão, ainda existem providências e conferências necessárias.

Por isso, o trabalho do assistente continua.

Compreender esses três momentos é fundamental para perceber que a audiência constitui um fluxo contínuo e integrado.

01

Antes da audiência

Preparar sistemas, ambiente, participantes e elementos necessários ao ato.

02

Durante a audiência

Acompanhar o fluxo, apoiar o magistrado e registrar os atos praticados.

03

Depois da audiência

Conferir providências, revisar registros e dar continuidade ao trabalho.

Capítulo 4

A audiência não começa quando o juiz entra

É comum associarmos o início da audiência ao momento em que o magistrado ingressa na sala.

Da mesma forma, muitas pessoas imaginam que o trabalho do assistente termina quando todos se despedem.

Entretanto, essa percepção não corresponde à realidade.

A audiência começa muito antes do início do ato processual propriamente dito.

E o trabalho do assistente continua mesmo após o encerramento da sessão.

Por essa razão, o assistente não é responsável por apenas uma etapa da audiência.

Ele acompanha todo o fluxo.

Essa é, talvez, uma das ideias mais importantes de toda a atividade.

Capítulo 5

Uma tarde de audiências

Imagine que agora são 13h30.

Temos uma audiência designada para as 14h.

Convido você a se sentar ao lado do assistente de audiência e acompanhar tudo o que acontece a partir daqui.

Embora o ato ainda não tenha começado, o trabalho do assistente já está em andamento.

Nos minutos que antecedem a audiência, é preciso conhecer minimamente o processo, preparar o ambiente e organizar os participantes.

À medida que as partes ingressam na sala virtual, tudo precisa estar pronto.

Quando o magistrado entra na sala, inicia-se o ato processual propriamente dito.

Enquanto o juiz conduz a audiência, o assistente acompanha simultaneamente o que acontece na sala e nos bastidores, garantindo a organização e a fluidez do procedimento.

Essa atuação não decorre apenas da experiência acumulada pelas unidades judiciárias. As normas que regulamentam as audiências também atribuem ao assistente responsabilidades relacionadas à organização do ato e ao apoio técnico aos participantes.

Encerrados os depoimentos, a audiência chega ao fim.

A audiência termina.

Mas a atividade do assistente continua.

Porque a audiência não é um instante. É um fluxo.

Preparação

Conhecer minimamente o processo, preparar o ambiente e organizar os participantes.

Início da audiência

Com a presença do magistrado, inicia-se o ato processual propriamente dito.

Organização e fluidez

O assistente observa a sala e os bastidores, garantindo organização e fluidez.

O trabalho continua

A audiência termina, mas a atividade do assistente ainda continua.

Capítulo 6

O protagonismo invisível

Quando tudo funciona bem, o trabalho do assistente quase passa despercebido.

E isso é um bom sinal.

Em geral, o protagonismo pertence às partes, aos advogados e ao magistrado.

Entretanto, basta algo sair do lugar para percebermos a importância de alguém responsável por manter a ordem, a segurança e a fluidez do ato processual.

A discrição faz parte da própria natureza da função.

Mas a ausência de protagonismo não significa ausência de importância.

Ao contrário.

Grande parte da segurança e da organização da audiência repousa justamente sobre a atuação silenciosa e cuidadosa do assistente.

Capítulo 7

A grande ideia do encontro

Ao final deste primeiro volume, uma conclusão se impõe.

O assistente de audiência não é um mero digitador.

O assistente não é responsável apenas por uma etapa da audiência.

O verdadeiro papel do assistente é garantir a segurança e a fluidez do ato processual.

Essa percepção, construída ao longo da prática forense, encontra respaldo nas diretrizes institucionais do Tribunal e nas normas que disciplinam a realização das audiências.

Em outras palavras:

O ASSISTENTE DE AUDIÊNCIA É RESPONSÁVEL PELO FLUXO.

Apêndice

Como enxergar a audiência

Cinco ideias para levar para a próxima audiência

Um resumo prático para consulta rápida sobre o papel do assistente e o fluxo da audiência.

1. A audiência é um fluxo

  • A audiência começa antes do ingresso do magistrado.
  • A audiência continua durante o ato processual.
  • A audiência não termina quando todos se despedem.
  • O trabalho do assistente está presente em todas essas etapas.

2. O assistente não é um mero digitador

  • A atividade vai muito além do registro da ata.
  • Operar sistemas é apenas uma parte do trabalho.
  • O objetivo é contribuir para a segurança, a regularidade e a fluidez do ato processual.

3. Quando tudo funciona bem, o trabalho do assistente quase passa despercebido

  • O protagonismo da audiência pertence às partes, aos advogados e ao magistrado.
  • O sucesso do assistente está em fazer com que tudo aconteça da maneira adequada.
  • A discrição faz parte da própria natureza da função.

4. Imprevistos fazem parte da atividade

  • Problemas acontecem.
  • Nem sempre existe uma solução perfeita.
  • A calma costuma ser mais importante do que a velocidade.
  • A experiência será construída com o tempo.

5. Se eu tivesse que resumir minha função em uma única frase, eu diria:

“Sou responsável pelo fluxo.”

Como Pensar a Audiência

Questionário de Revisão – Encontro 1

Questões objetivas para retomar as principais ideias do primeiro encontro antes de seguir para o próximo volume.

1. Qual é a principal responsabilidade do assistente de audiência?

  1. aDigitar a ata da audiência.
  2. bOperar os sistemas utilizados durante o ato.
  3. cGarantir a segurança, a organização e a fluidez do fluxo da audiência.
  4. dAssessorar juridicamente o magistrado.

2. Segundo o curso, a audiência deve ser compreendida como:

  1. aO período em que as partes prestam depoimento.
  2. bUm conjunto de tarefas independentes realizadas pelo assistente.
  3. cUm fluxo contínuo, composto por etapas interligadas.
  4. dUm procedimento restrito ao momento em que o juiz está presente.

3. A comparação entre o assistente de audiência e um diretor de palco procura demonstrar que:

  1. aO assistente é o protagonista da audiência.
  2. bO assistente atua nos bastidores para que todo o ato ocorra de forma organizada.
  3. cO assistente substitui o magistrado quando necessário.
  4. dO assistente deve controlar todas as manifestações das partes.

4. Em relação ao início e ao término da audiência, é correto afirmar que:

  1. aA audiência começa quando o magistrado ingressa na sala e termina com o encerramento da gravação.
  2. bO trabalho do assistente inicia apenas após a abertura da audiência.
  3. cA audiência começa antes do ingresso do magistrado e o trabalho do assistente continua após o encerramento do ato.
  4. dO assistente atua exclusivamente durante a realização da audiência.

5. Imagine que faltam 30 minutos para uma audiência. Ainda não há participantes conectados e o magistrado não chegou. Segundo a lógica apresentada no curso, o assistente deve:

  1. aAguardar o início formal da audiência.
  2. bAproveitar o tempo para estudar o mérito do processo.
  3. cIniciar a preparação do ambiente, dos sistemas e da organização necessária para o ato.
  4. dPermanecer inativo até receber orientação do magistrado.

6. Durante uma audiência, tudo ocorre sem qualquer intercorrência. Ao final, ninguém comenta a atuação do assistente. De acordo com o curso, isso significa que:

  1. aO assistente participou pouco da audiência.
  2. bO assistente deixou de exercer seu protagonismo.
  3. cEsse costuma ser um sinal de que o trabalho foi realizado adequadamente.
  4. dO magistrado concentrou todas as atividades.

7. Qual das alternativas melhor representa a expressão "o assistente é responsável pelo fluxo"?

  1. aCabe ao assistente controlar apenas a elaboração da ata.
  2. bO assistente acompanha e organiza todas as etapas da audiência, antes, durante e depois do ato.
  3. cO assistente é responsável por decidir os rumos da audiência.
  4. dO assistente atua apenas quando solicitado pelo magistrado.

8. Um servidor afirma: "O importante é aprender o AUD; o restante vem naturalmente." À luz do primeiro encontro, essa afirmação é:

  1. aCorreta, porque dominar o sistema é suficiente para exercer a função.
  2. bParcialmente correta, pois o sistema representa a essência da atividade.
  3. cIncorreta, porque os sistemas são apenas ferramentas dentro de um fluxo maior de trabalho.
  4. dCorreta, desde que o servidor já conheça a rotina da Vara.

9. Qual das situações abaixo melhor demonstra que o participante compreendeu a filosofia do primeiro encontro?

  1. a"Meu objetivo é aprender todos os comandos do sistema."
  2. b"Minha principal preocupação é digitar rapidamente."
  3. c"Meu papel é contribuir para que toda a audiência aconteça de forma segura, organizada e fluida."
  4. d"Meu trabalho termina quando o juiz encerra a audiência."

10. Qual é a principal mensagem que o primeiro encontro pretende transmitir ao futuro assistente de audiência?

  1. aA audiência depende principalmente do domínio dos sistemas eletrônicos.
  2. bA atuação do assistente limita-se ao registro dos atos processuais.
  3. cO verdadeiro papel do assistente é compreender e conduzir o fluxo da audiência, contribuindo para sua segurança, organização e fluidez.
  4. dA atividade do assistente consiste em substituir o magistrado sempre que necessário.

Próximo volume

Os bastidores da audiência

No próximo volume, deixaremos essa visão panorâmica e começaremos a entrar nos bastidores da atividade.

Falaremos sobre preparação da pauta, organização do ambiente, Zoom e os cuidados que antecedem o início da audiência.

Se o primeiro encontro teve como objetivo responder à pergunta "o que é uma audiência?", o próximo encontro será dedicado ao "como se preparar para ela".